A PRAÇA

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REDE RSOPT – À procura de um segundo fôlego

Como é bom sentir esta pequena brisa perturbadora da tranquilidade reticular instituída. Brisa fresca, em tempo de canícula.

O surgimento da própria brisa é assunto, para nos envolver e nos despertar. Estamos a falar do direito à BRISA? Não aquela que relacionamos com as auto-estradas, as vias rápidas para atingir objectivos de mobilidade. Mas a metáfora é interessante. Digo isto porque admito que os pequenos carreiros, sedutores, arborizados, os pequenos caminhos rurais de percurso sinuoso, não serão certamente a via mais adequada para recolocar a Rede RSOpt numa rota de desenvolvimento que incorpore, de novo, toda a paixão que esteve no seu surgimento e na posterior dinâmica de cooperação. Assim e desta forma, podemos opinar, que só a brisa nos pode salvar!

A legitimidade da brisa

O debate sobre o “regulamento”, sobre a “autorização” , sobre a comunicação top – down, vem relançar a velha temática da essência das próprias redes.

As redes são…redes. Ou seja, são interacções entre organizações e pessoas para atingir objectivos comuns. Interacções na malha da rede, de forma livre, aberta, circunstancial, estrutural, de pequena ou de grande escala. Todos contactam com todos, sem hierarquia, sem “autorizações” , sem “regulamentos”. As redes são….ACÇÃO. Se não for assim, estaremos perante um agrupamento de entidades, que se constituíram em associação, mas não formalizaram essa relação hierarquizada e por isso, e por facilidade, lhe dão o nome de REDE.

Rede que te quiero rede

Lorca deu-nos a paixão pelo verde, com o seu poema magistral. Nós podemos fazer o mesmo com a rede RSOpt. Sabemos todos que na sua origem está uma ideia generosa de dar um contributo para, vivendo juntos, vivermos num mundo melhor. Mas a rede precisa de ser rede. Escrevia eu há uns 2 anos atrás, antes da Convenção de Oliveira de Azeméis: DAR REDE à REDE. Mas ficámos na ambiguidade e na indefinição sobre as questões essenciais do funcionamento e da dinâmica da própria rede. Rede por campanhas, rede com iniciativas de baixo para cima, rede de pequenas sementeiras e de grandes eventos….mas rede, sim…rede,  e não uma estrutura ao serviço das agendas e dos planos de acção de entidades que legitimamente, como membros da rede querem fazer ligações entre a condição de membro e as suas metas institucionais. O problema é esta estratégia ser desenvolvida aproveitando a lógica de funcionamento hierarquizada existente.  A legitimidade de propor e agir é de todos. A sua implementação deve ser não-hierárquica. Lembram-se da passagem de denominação do Steering Commitee para Comissão de Acompanhamento? Sim uma comissão para …acompanhar…. e não para centralizar, coordenar. Acompanhar…dinamizando, estimulando, desafiando. mas não regulando, ordenando. Demos um passo simbólico, na linguagem, mas não nas práticas concretas.

Responsabilidade social

Se quisermos ser um pouco mais profundos nesta abordagem crítica teremos que admitir que a questão verdadeiramente importante nem sequer é a rede em si. Ou seja ,não é uma questão organizativa. A questão crítica central é o conteúdo que se pode dar hoje, nos nossos tempos, ao conceito de responsabilidade social. A transição da “cultura e paradigma industrial” para uma fase de “sociedade da informação e conhecimento” forneceu-nos matéria clara sobre as novas relações a construir em termos económicos, sociais, culturais e ambientais. Chamar à responsabilidade social, significava principalmente apelar a um ajustamento das atitudes e dos comportamentos às novas referências do bem – estar, da equidade e da sustentabilidade. Mas veio a incerteza, a insegurança, a precariedade, a transição profunda para um mundo muito mais desconhecido que a prospectiva clássica imaginava. Assim o nosso problema é principalmente esse. Se não quisermos fazer da Responsabilidade social uma plataforma moral, de gente boa, que gosta que os outros também se portem bem, teremos que imaginar e reinventar a nova RESPONSABILIDADE SOCIAL. Que influência importa exercer na sociedade portuguesa para que se aprofunde de forma generalizada uma visão útil do conceito de responsabilidade social. Este sim parece-me ser o nosso problema. Bem, a rede é a melhor forma de experimentar coisas novas neste domínio, por isso …

Cuidemos também da REDE…

Um abraço amigo para todas e todos.

Carlos Ribeiro

Caixa de Mitos – Agência para a Inovação Social

Membro da Rede RSOpt e da Comissão de Acompanhamento…

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