A PRAÇA

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Aprender na Rua

A Associação Portuguesa de Geógrafos organiza uns pequenos cursos a que chama “Aprender na Rua”. A sua terceira edição tratou da relação entre cidade e mar. Foi uma oportunidade para, em percursos a pé aos sábados de manhã, se ver fortalezas de defesa da costa (de Foz do Douro a Póvoa do Varzim); compreender a presença da pesca e o seu papel na urbanização do litoral; notar a enorme influência do comboio (em Espinho e Póvoa, sobretudo) e da industrialização e desindustrialização na evolução das cidades (como em Matosinhos); discutir as dinâmicas ligadas ao comércio e ao urbanismo (com a constituição de uma “rua central”, como ocorre com Senhora da Luz, Brito Capelo e Junqueira) e o predomínio da planta ortogonal no planeamento dos séculos XIX e XX (especialmente evidente em Espinho); considerar os efeitos do turismo desde há mais de 100 anos (com praias, casinos e restaurantes) e os sinais da recente gentrificação (residencial e funcional).

A última saída levou-nos à Afurada e Canidelo. A marina sobressai na ligação entre rio e mar, a par da regularização de ruas e criação de percursos pedonais, mas o que mais vale a pena apreciar é o velho lavadouro, a roupa a secar e a ribeira de Santarém (onde vi uma enguia), além da belíssima Baia de Sampaio. Aprecie também a aparente boa convivência entre residentes e visitantes, anunciando porventura um processo de mudança que atenta contra as rendas baratas, as lojas do “tem tudo” e o sossego dos que almoçam no passeio, ao lado da grelha. Talvez por isso – e pela brutalidade das construções que se adivinham em ambas margens –, senti já saudade do que vai desaparecer. Esperando, contudo, que o progresso chegue a todos, sobretudo quem lá mora há muito, e se evitem (ou minimizem) os efeitos duma transformação que não tem de ser descuidada.

Autor: José Alberto Rio Fernandes, 16 de maio 2018

 

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