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Finlandeses

Eu já o disse, outros antes de mim também e espero que muitos mais no futuro: não há nenhum problema em ser do (ou morar no) “interior”, relativamente a ser ou viver de/em áreas metropolitanas, ou nos espaços de mistura e forte presença industrial, como entre Aveiro e Coimbra ou Braga e Amarante.

Carlos Lage retratou a questão de modo sugestivo, em forma de pergunta: “Porque persiste uma estranha miopia sobre o mundo do interior, quase sempre descrito com as mesmas palavras e conceitos, num enfadonho imobilismo mental, fazendo dele um retrato passadista que acentua o lado negativo e subestima os grandes avanços conseguidos?”

Sim, porquê? Porque pensamos em velhos e agricultura de subsistência e recusamos ver o presente, onde a modernidade se mistura e tanto mudou? Alguns querem até convencer-nos que se vive pior em lugares magníficos como Vila Flor ou Trancoso, do que nalguns lugares das maiores cidades do país.

Será que o problema maior não será uma visão cascaisocêntrica ou fozocêntrica que remete os habitantes do interior a uma condição caricatural? Será disso que estes se tentam libertar, imitando, a ver se fica tudo igual? Talvez.

Penso que o que faz falta é simples, obrigando apenas a perceber que espaços diferentes precisam de políticas diferentes. Porque o fecho dum posto de correio em Mondim de Basto é muito mais grave do que na Areosa; o acesso à saúde não pode ser pensado da mesma maneira em Matosinhos e Vimioso; nem Boticas ou Pinhel podem alimentar a ambição de ter muita gente, grandes prédios e filas de turistas.

Será que, de tanto se falar em desequilíbrio territorial, se pensa que o equilíbrio é possível, por isso vendo em menos gente menos desenvolvimento? Vão contar essa aos finlandeses…

Autor: José Alberto Rio Fernandes, 25 de Julho de 2018 | Coluna de opinião do JN

Professor Universitário, geógrafo e Presidente da Associação Portuguesa de Geógrafos

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