A PRAÇA

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Aguda

Sou visitante regular da Aguda e gosto daquele lugar no litoral de Vila Nova de Gaia que não tem o ar aristocrático da Granja, nem parece inacabado, como Salgueiros. Há espaço suficiente para peões e bicicletas, as ruas são arborizadas e há passadiços ao longo da praia, bem como estruturas de valorização da natureza (sem tiques de novo-riquismo), equipamentos públicos e estabelecimentos privados.
Aprecio sobretudo a mistura: vivendas de classe média e alta, próximo de pequenas casas (incluindo em “ilhas”), mais modestas e quase sempre com azulejo na fachada. Além disso, sendo lugar de residência e pesca, a Aguda tem um centro, bem marcado pela rua pedonal que liga o quartel dos bombeiros à lota. Aqui, como na frente da praia, além das lojas – recomendo a peixaria! – há cafés e restaurantes e ótimas esplanadas voltadas à praia – experimente o fino da Kinita ao fim de tarde! – sem a pretensão das da Foz ou Leça.
Há sempre pessoas na rua – mais ao fim-de-semana, naturalmente –, cruzando-se pescadores e vendedores de rua, com alguns (poucos) estrangeiros, muitos residentes e também visitantes, como eu e até gente conhecida. Há ainda um espaço cultural com muitas atividades e uma exposição de fotos de pescadores para apreciar, bem junto do lugar na areia onde se consertam barcos e redes. Tudo se mistura. Na rua e na esplanada, como nos passadiços.
Há sinais (discretos) de elitização. Tinha de ser! Mas, o que mais lamento, é que o mar agora fique tão longe, depois da construção do molhe que levou à acumulação de areia (em excesso) do lado Norte e à escavação pelo lado Sul, de tal forma que dificulta a entrada e saída dos barcos. Falando do mar, se estiver maré baixa, não deixe de ver as rochas e a vida entre elas.
Gosto da Aguda.

Autor: José Alberto Rio Fernandes. Geógrafo. Professor catedrático. Presidente da APG – Associação Portuguesa de Geógrafos. (Reprodução de crónica)

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