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Novo Ano


Com Trump e Putin à frente das duas maiores potências militares, a China cada vez mais poderosa e a Europa em deriva anti-democrática, o novo ano não promete um mundo melhor. Até porque tarda a ação contra o crescimento da desigualdade, ou de contenção das alterações climáticas e minimização dos seus efeitos. 

Em Portugal, se nunca nada está bem para cada um de nós, nada está tão mal para todos como na maior parte dos lugares do mundo, nem pior do que estava há 4 ou 5 anos. Todavia, 2019 promete tensões, conflitos, greves e uma oposição mais ativa. Ano de eleições…

Para o Porto, deixo três desejos: 1. Que passe a haver preocupação com a habitação, deixando de ser prioridade os imóveis (quase sempre para venda ou aluguer turístico depois de recuperados) e a reabilitação passe a ser orientada para a habitação dos que mais precisam: como é possível viver-se em Pego Negro ou na Presa Velha (conhecem?) como se vive, estando na mesma cidade onde se abrem dezenas de hotéis de luxo com apoio de dinheiro público, ou seja, nosso? 2. Que todos ganhemos mais respeito pelos valores culturais e ambientais, deixando de ver como sinal de progresso os grandes imóveis, como os dois que emergiram junto à Ponte da Arrábida, ou o abandono de quiosque em S. Lázaro. 3. Que, por fim, se abandone a ideia de “quantos mais turistas melhor”, se promovam os lugares menos visitados (incluindo nos concelhos envolventes) e se passe a considerar que a cidade, com turistas, deve ser feita antes de mais pelos – e para – os seus habitantes permanentes.

Para si, meu leitor, os votos de Bom Ano. E que, apesar de tudo, o Novo Ano possa ser um pouco melhor que 2018 para todos, no país e no mundo, especialmente para os mais frágeis e os que mais sofrem.

Jose Alberto Rio Fernandes
Geógrafo. Professor universitário. Presidente da Associação Portuguesa de Geógrafos
Crónicas semanais no JN
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