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Estudantes-artesãos, precisa-se!

Carlos Ribeiro | Caixa de Mitos | Animador dos workshops CULINART

Os sistemas de qualificação devem passar da referência nuclear do diploma para o valor acrescentado na co-construção de comuns, ou seja daquilo que é útil e utilizável por todos.

Nas sessões de trabalho do projecto CULINART realizadas no passado dia 18 de Fevereiro na Póvoa de Varzim a palavra de ordem foi a conversa livre e irreverente. Para pensar soluções relacionadas com as qualificações de cozinheiros e cozinheiras criativos/vas partiu-se de uma hipótese de sistema alternativo ao tradicional processo baseado nos conteúdos, nas práticas e na avaliação desenvolvido a partir de regras de hierarquia e de autoridade formal incontestáveis, das escolas, dos centros de formação e até dos estabelecimentos de ensino superior.

A hipótese de ser adoptado um outro paradigma assente em dispositivos e/ou espaços capacitantes organizados de forma reticular, aptos para lógicas de auto-organização dos percursos formativos foi equacionada, tendo por finalidade favorecer uma relação estratégica das aprendizagens com o território e com o seu desenvolvimento sustentável. A malha de espaços de aprendizagem deveria estar em conformidade com uma visão especializada desejada para o território. Veja-se por exemplo o interesse em desenvolver uma lógica formativa de cozinheiros (as) criativos (as) focada no enoturismo. As entidades desta área deveriam estruturar uma base pedagógica, negociada certo, com as diversas entidades formadoras, mas devendo ser central no sistema de qualificação. Ou seja, descentrar do estabelecimento de ensino ou de formação o enfoque e a dinâmica formativa, favorecendo uma abordagem pelas competências em detrimento dos saberes formais instituídos.

Cada diplomado cuja certificação tenha resultado de um sistema flexível e adaptado ao processo de desenvolvimento sustentável do território deveria ver certificados os contributos específicos que terá introduzido no contexto do seu processo formativo para associar ao diploma uma visão de desenvolvimento da comunidade e não apenas a sua valorização como aprendente. Ou seja, cada vez mais se pede que existam estudantes-artesãos, que realizem obra e que assumam uma forte consciência social do seu papel no desenvolvimento.

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