A PRAÇA

A Praça dá voz a redes, a organizações e a pessoas com ideias e iniciativa.  Valoriza as parcerias e os projectos que visam um desenvolvimento mais sustentável e mais solidário. Para além de site de notícias surge também como  portal de acesso a inúmeras redes, europeias, nacionais e locais.

Informação . ideias . Iniciativas jornalismo cidadão . redes e comunidades de prática. repórteres sociais . opinião

No regresso de Oslo

José Alberto Rio Fernandes, Professor catedrático e geógrafo. Presidente da Associação Portuguesa de Geografia

Se fosse tudo semelhante, o mundo seria muito desinteressante, é certo. Mas também é verdade que se todos os países fossem mais parecidos com a Noruega (clima aparte), ele seria significativamente melhor!

Veja-se o caso de Oslo, a capital. Não há grandes igrejas ou palácios, nem praças majestosas. Sobressai talvez a arquitetura criativa e a qualidade do espaço público na frente de água (que resultam de intervenção recente), a câmara municipal (de entrada livre) e o palácio real, no alto duma colina, amarelo e pequeno, sem qualquer proteção, senão dois guardas na frente e grades à volta do pequeno jardim das traseiras, onde vi umas crianças a brincar (netos dos reis, talvez).

A nova ópera não tem camarotes e ninguém incomoda a rainha na rua quando vai às compras, ou um ministro na sua bicicleta. Recompensam-se as profissões com menos candidatos: no início de carreira, um pescador ou picheleiro ganha mais que um médico, professor ou engenheiro. A relativa igualdade é notável também na saúde, no ensino, ou entre homens e mulheres, incluído o facto de nenhum homem ousar dar o assento a uma mulher, abrir-lhe uma porta, ou privilegiá-la de qualquer outra forma. O respeito pelo outro é tanto que o silêncio é a regra: há poucos carros e a maioria são elétricos; veem-se muitas pessoas na rua de auscultadores, todos falam pouco e de modo a serem ouvidos apenas por quem está mais próximo e, nos comboios, há até uma carruagem onde se requere silêncio absoluto. Não há ostentação, nem pobreza à vista, apesar de cerca de 25% da população da cidade ser composta de imigrantes.

Será isto o socialismo? Aproxima-se! De qualquer modo, antes de tudo, é o resultado de uma boa educação ao longo de gerações, na aprendizagem pelo respeito ao outro e da prioridade ao bem comum.

Crónica do autor no JN, reprodução autorizada pelo autor CR/ caixa de mitos

Please follow and like us:

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *