Qui. Abr 9th, 2020

Jornalismo cidadão |

Repensar a educação

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Carlos Ribeiro

Tendencialmente o quadro sugerido para a educação ser repensada é a escola. O insucesso escolar, a resistência dos professores à mudança ou às mudanças, a tirania do método expositivo, os métodos participativos e a relação entre alunos e professores, a importância da valorização da diversidade, do reconhecimento de cada aluno como parte activa de um processo de aprendizagem, o papel dos pais e da família e dos modelos a serem seguidos, etc.

Na verdade tenho ideia que os grandes problemas da educação não estão nos métodos de ensino ou de aprendizagem. Esses são problemas reais mas não os fundamentais. A educação precisa de ser pensada na sua relação com o desenvolvimento e o que acontece é que o paradigma dominante é o do desenvolvimento “insustentável”. Importa antes de mais estabelecer qual é o papel da educação no desenvolvimento que desejamos promover e viabilizar. Não é por termos métodos mais participativos e mais colaborativos nos processos de aprendizagem que a lógica competitiva e de promoção social não- equitativa através da educação vai mudar. Poderá até ser uma via para camuflar de forma “simpática” a relação profundamente discriminatória que se forja nas salas de aula.
Como para os territórios fragilizados pelo despovoamento ditos de baixa densidade ou do interior, as medidas compensatórias ou de coesão deveriam existir na educação por forma a salvaguardar dinâmicas de progressão justas e compatíveis com um modelo social harmonioso e equilibrado.

Da mesma forma a relação dos alunos com os conhecimentos, os saberes técnicos e as atitudes positivas e até apaixonadas pelos processo educativos deveria ser construída em torno de referências úteis para as comunidades e consequentemente ligadas a acções relacionadas com o desenvolvimento sustentável.

Neste domínio o que predomina nas escolas é o faz-de-conta. Muita pintura verde, muita eco-qualquer coisa e pouco ou nada sobre a sustentabilidade e os verdadeiros desafios dos nossos tempos.

Outra educação é possível e claro, desejável!
Carlos Ribeiro

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