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Nova porta de acesso para os trabalhadores-estudantes

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Isabel Moio, TORVC Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal, Investigadora Doutorada Integrada do CEIS20-UC | GRUPOEDE | Editado CR|Praça das Redes | 22 de abril 2020

Os habituais pequenos grandes luxos da rotina foram-nos subtraídos num ápice. Sem nos dar tempo para estruturarmos adaptações que ainda não adivinhávamos. Estava instalada a incerteza, a insegurança, a dúvida. Ainda está. Enquanto trabalhadora-estudante, estava ciente de que também aqui seriam trilhados novos caminhos, para os quais a nossa cultura (ainda) não está formatada (nem preparada).

Alternativas de ensino-aprendizagem

Na Universidade de Coimbra, o despacho reitoral de 9 de março a informar a comunidade académica sobre a suspensão de todas as atividades letivas presenciais foi o passaporte para a edificação de alternativas de ensino-aprendizagem. Foi ainda, o anúncio para estudantes estrangeiros pegarem no seu passaporte real e nas suas malas para regressarem aos seus países de origem, onde também encontrariam uma novo dia-a-dia. As dinâmicas de vida estavam a sofrer mutações e o tempo estava desarrumado. Também ainda está.

Liberdade para conciliar as tarefas

Devido a horários e compromissos profissionais, mas também ao tempo das viagens (os contornos do Estatuto não são compatíveis com o tempo despendido em viagens, pois só nelas esgotar-se-iam as horas por lei permitidas para assistir a aulas), nunca me foi possível marcar presença nem em um quarto da componente letiva presencial. Nos novos moldes, tornou-se possível assistir a vídeos das aulas em horários que nos são mais favoráveis e temos uma maior liberdade para conciliar as tarefas académicas com as profissionais, sem que nenhuma seja prejudicada. Tal como ocorre nas espécies animais que estabelecem uma relação de mutualismo.

Relações interpessoais que se estreitam e fortalecem

Aulas que decorrem com naturalidade. Estudantes que têm intervenções pertinentes. Fóruns que provocam o sentido crítico. Solidariedade entre estudantes. Indiscutível (e ímpar) flexibilidade de um corpo docente que se desdobra em emails, vídeos, Zoom e aulas de dúvidas (que não constavam do horário académico, mas que atendem às necessidades de tod@s). Não foi do nada que se chegou a este patamar. Foram horas, dias e semanas de autoaprendizagem de ambas as partes: docentes e estudantes. Nunca foi tão fácil entrar em casas alheias e apesar do sabor agridoce disso, há relações interpessoais que se estreitam e fortalecem. Há palavras de solidariedade que chegam pela mesma via em que se reportam dúvidas e há retorno. Não, não estamos sós nem sozinhos.

Saldo positivo

Volvido um mês e meio, o saldo é(-me) francamente positivo, embora consciente de que o ensino-aprendizagem através de meios digitais não é equiparável à riqueza do contacto presencial (nem se poderiam comparar grandezas diferentes), por toda a experiência educativa transversal que proporciona.

Novas portas de acesso

Ao longo dos anos, tem aumentado o número de estudantes adultos não tradicionais no ensino superior. No entanto, não é importante apenas proporcionar-lhes uma porta de acesso, mas garantir também oportunidades de (maior) sucesso. Por isso, talvez esta seja uma das lições: a capacidade de, enquanto seres aprendentes, reinventarmo-nos e moldarmo-nos às condições que não está ao nosso alcance contrariar. E depois de a tempestade passar, quem sabe se esta não poderá precisamente ser uma das alternativas a considerar: garantir um regime não presencial que permita a trabalhadores-estudantes ter acesso à matéria-prima direta das aulas. Talvez seja o momento de também as Universidades se reinventarem.

Isabel Moio, TORVC Centro Qualifica do Agrupamento de Escolas de Pombal, Investigadora Doutorada Integrada do CEIS20-UC | GRUPOEDE

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