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MADEIRA | Navegar na realidade bipolar

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@ Praça das Redes | 10 de agosto 2020 | Histórias de Navegadores Confinados | João Pinto | Teresa Cardoso

Na Madeira o mundo também mudou e foi preciso aprender a reviver! Na verdade a notícia acaba por não o ser. O acontecimento ocorreu nos diversos espaços continentais e, de um forma geral, também nas ilhas Mas o João e a Teresa não nos relatam histórias e situações banais. Levam-nos de mão dada pelos carreiros da esperança e da angústia de todo um território. Falam-nos de sobrevivência sem papas na língua e recordam-nos que “ela depende da capacidade que cada um tem de aprender a aprender. Em suma, de aprender a reviver” | CR | Praça das Redes

O REviver na Rede navegava calmamente. Os espaços web do projeto, através do qual se presta apoio às pessoas em situação de desemprego na utilização das redes sociais, com foco no Facebook, refletiam a baixa taxa de desemprego e a grande oferta de emprego. Na Madeira, região onde o projeto está implementado desde 2015, assistíamos a uma escassez de mão-de-obra com os empresários a testemunharem dificuldades no recrutamento. 

Mas, em março, a nossa vida mudou… aliás, parou! Março fez-nos acordar para a dura realidade do COVID-19, que trouxe o lay-off, muitos desempregados de longa duração, anónimos, e um sem número de outras mudanças silenciosas. A economia parava e a vida de muitos fechava as portas… até um dia – um dia num futuro, tão incerto como longínquo.

Espaços de oferta vazios como as ruas

Nas redes sociais, assistimos a estas transformações na primeira fila… lugar bizarro para ver uma pandemia a crescer, mas privilegiado para por em prática novas formas de cidadania. Os espaços do REviver na Rede, até então cheios de ofertas de emprego, ficaram tão vazios como as ruas. Começaram a REsurgir publicações no grupo do Facebook de pessoas a disponibilizarem-se para trabalhar, o que tinha perdido relevância nos últimos tempos. Uma após outra formaram uma multidão ruidosa a pedir trabalho.

A heresia do trabalho

Hoje, olhando para trás na tentativa de ilustrar estas manifestações, recuperamos da memória da cronologia do Grupo REviver na Rede uma publicação de um membro a oferecer-se para trabalhar em restaurantes, num texto em que transparecia aflição. Outros dos membros comentavam como se tal fosse uma heresia, porque era preciso ficar em casa, e sair para trabalhar parecia ser um novo pecado capital. Tornou-se difícil moderar os espaços online do projeto… aliás, pensamos nós, não iria ser fácil moderar a sociedade nestes tempos!

Emprego, missão impossível

As hashtags #VaiFicarTudoBem e #EstamosJuntos chegaram tão depressa como o próprio COVID-19. As redes sociais vibraram com a sua utilização e o confinamento de cada um era o novo desafio social a partilhar. A realidade era que #NãoEstavaTudoBem com muitos de nós. A falta de emprego inviabilizava qualquer hipótese de um confinamento condigno e a sua procura tornou-se uma missão impossível, mas, mesmo assim, a ser tentada para manter viva a esperança. Afinal, na verdade, também #NãoEstavamosJuntos!

Conteúdos de aprendizagem

É esta a realidade bipolar das redes sociais. O bom e o mau coabitam lado a lado, envolvendo o comum dos utilizadores, competindo por likes e visualizações… e, ao contrário das histórias da nossa infância, nem sempre vence o melhor.

Foi então que nos ficou clara a necessidade de investir em conteúdos de aprendizagem a partilhar nos espaços do projeto. Selecionámos os temas da segurança, privacidade, literacia da informação e cordialidade nas redes sociais, porque emergiram como motivos de preocupação. Implementamos ainda novas estratégias para combater as fakenews, falsos anúncios de emprego, perfis falsos, participações de caráter ofensivo e muitos outros tipos de atividade maligna.

Aprendizagem informal

Assim, em tempos de confinamento, reforçámo-nos com os princípios da educação aberta online como forma de incutir a aprendizagem informal na vida de cada pessoa que nos segue.

Agora, mais do que nunca, aprender ao longo da vida é saber viver com os outros, REconstruindo-nos através das redes que tecemos quotidianamente. Nestes tempos inesperados a nossa sobrevivência depende da capacidade que cada um tem de aprender a aprender… em suma, de aprender a REviver.

João Pinto | Teresa Cardoso

© foto cedida por João Pinto e Teresa Cardoso

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