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EDUCAÇÃO |Nano-Manifesto. Coisas simples para fazer amanhã, na alfabetização

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PR | 5 de setembro 2020 | DIA INTERNACIONAL DA ALFABETIZAÇÃO | Nano-Manifesto. Coisas simples para fazer amanhã, na alfabetização | Por Carlos Ribeiro

Estes dias internacionais servem sobretudo para proferir grandes declarações. Frases pomposas e afirmações de confiança no futuro.

Não se começa assim “no ano passado havia 750 milhões de jovens e adultos que não sabiam nem ler nem escrever e dois-terços eram mulheres. Este ano são 710 milhões e 60% são mulheres. Valeu a pena o Dia Internacional da Alfabetização do ano passado. E esperemos que os próximos anos também valham”.

Não. Não é isto que acontece. A conversa repete-se de ano para ano.

Então mais vale definir metas de pequena escala e de implementação simplificada.

É esse o objetivo deste Nano-Manifesto. Aqui vai:

Princípio geral

A prioridade é agir com os mais pobres, com os mais desfavorecidos e nos territórios mais necessitados.

Repete-se,

a prioridade é agir com os mais pobres, os mais desfavorecidos e nos territórios mais necessitados e, sendo os recursos do país limitados no investimento em educação, no mínimo 70% das verbas para a educação de adultos e alfabetização devem ser canalizadas para esta prioridade.

Princípios básicos para a implementação

Nada sobre nós sem nós!

Todas as instituições e profissionais que intervêm nos domínios da alfabetização assumem que os adultos que participam em ações de educação-formação passam a dispor de mecanismos de auto-organização e desta forma disporem de condições para integrar o sistema de governança da alfabetização nos seus territórios.

Só poderão aceder a fundos públicos instituições que comprovem ter instalado sistemas de auto-representação dos adultos aprendentes

Nunca é tarde para (decidir o que) aprender

Todo e qualquer adulto tem o direito de exigir que os contextos de aprendizagem no seu percurso formativo que sejam co-construídos com os animadores de educação-formação e estejam relacionados com as suas experiências e a sua vida quotidiana.

Está vedada a apresentação de programas obrigatórios e pré-definidos para formação de adultos nas atividades de alfabetização

Com artistas sociais as aprendizagens tornam-se efetivas

A arte de acompanhar os adultos aprendentes nos seus percursos de aprendizagem implica colocar o adulto no centro do processo e negociar permanentemente a sua progressão em função das suas prioridades. Desenhar contextos de aprendizagem e  cenarizar terrenos de aplicação e de experimentação requerem facilitadores em vez de professores e formadores que tendem a prescrever programas pré-definidos. Artistas sociais na educação, precisam-se!

30% das equipas pedagógicas desenvolvem competências de facilitação das aprendizagem e concretizam processos de RVCC nesse âmbito ao longo do ano.

Aprender para viver

A vida e as necessidades das comunidades locais são a matéria-prima fundamental das aprendizagens colaborativas

As tensões económicas, sociais, ambientais, culturais dos territórios e as abordagens ao seu desenvolvimento sustentável são um ponto de partida para o envolvimento dos adultos que recorrem às aprendizagens para reforçar a sua capacidade de compreensão e de intervenção na justa medida daquilo que cada um ou cada uma entender.

Uma causa local deve estar associada ao programa de ação de toda e qualquer estrutura de educação-formação, por opção dos adultos que participam nas suas atividades

Espaços partilhados de aprendizagem

As diversas entidades deste universo da educação permanente precisam de trabalhar em rede e tornarem-se permeáveis e acessíveis para todo e qualquer adulto que deseje participar em atividades educativas e formativas. Não se trata de encaminhar, trata-se de criar interseções operacionais entre as diversas instituições e estabelecer uma postura de fundo para todas sem exceção de funcionarem a partir das dinâmicas da procura e não na base da oferta e dos produtos estandardizados.

Uma atividade anual de cada instituição que age no universo da alfabetização deve realizar-se nas instalações e em parceria com uma das restantes entidades locais.

Princípio da inteligência coletiva

Sendo curtas e sintéticas as referências relacionadas com a mudança que importará dinamizar, para as aprofundar e para as operacionalizar, estabelece-se a figura da Comunidade de Aprendizagem e Inovação como modelo de auto-organização dos atores dos territórios interessados em melhorar e adaptar os processos de alfabetização e de educação-formação. Nestas diretores, professores, monitores, vereadores, técnicos ORVC, educadores sociais, voluntários, bibliotecários, adultos anteriormente envolvidos e outros poderão partilhar as suas experiências e opiniões e agir conjuntamente para tornar os seus territórios mais aprendentes.

  • Carlos Ribeiro
  • Caixa de Mitos – Agência para a Inovação Social
  • Embaixador EPALE para a Educação Não-formal e Informal

4 de setembro de 2020, Por ocasião do Dia Internacional da Alfabetização 2020 – 8 set| UNESCO

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