6 de Julho, 2022

Praça das Redes

Jornalismo cidadão | Redes e Comunidades

As comunidades de inovador@s na promoção da igualdade de género

INVESTIGAÇÃO-AÇÃO | Inovação social

Encontro-me numa missão de estudo operacional inserido numa equipa da Coolabora, organização de referência nos processos de inovação social com sede na Covilhã, cuja finalidade é realizar um diagnóstico sobre igualdade de género numa entidade e num território bem delimitado.

A pesquisa inicial sobre os modelos utilizados e sobre as práticas que são desenvolvidas neste domínio revelou que existem produções de grande qualidade neste terreno, sempre complexo, que remete para dimensões subterrâneas e até ocultas dos comportamentos e das atitudes dos envolvidos nestes processos de mudança.

Das experiências visitadas, em bases documentais, surgiu a dúvida, ou até a reserva, sobre a forma como as mudanças são implementadas ou como ocorrem genericamente. O que emerge claramente das dinâmicas é que o envolvimento e ao comprometimento dos destinatários das ações preconizadas ou executadas são sempre insuficientes e claramente deficitários no plano da liderança dos processos. Não se trata apenas e só dos sistemas de governança . Na realidade existem várias questões que devem ser colocadas à partida que podem ajudar a desenhar o Caderno de Encargos do processo na sua globalidade.

QUESTIONAMENTO DE PARTIDA

As principais interrogações, que de alguma forma influenciaram a leitura e análise (e sentido de pesquisa) que estiveram presentes, foram as seguintes:

A – Como comprometer os/as participantes com a mudança?

Como envolver e comprometer nos processos de mudança os/as potenciais participantes nas iniciativas e ações de um diagnóstico que se insere numa dinâmica pré-estabelecida, em termos de políticas públicas e de método de realização, e cuja finalidade consiste em ser o ponto de partida para um Plano de Ação cujas Estratégias, Medidas e Ações estão à priori esboçadas atendendo ao quadro político-programático no qual se inserem.

B – Como enfrentar as barreiras ocultas do não-benefício?

Como ultrapassar as barreiras ocultas face a situações-tipo que geralmente emergem nas atividades associadas a metodologias participativas e que de forma não-declarada assumem o caráter de resistência ou oposição antes de mais pelo fato dos assuntos não terem aparentemente benefícios para os envolvidos.

C – Como evitar o condicionamento dos formatos-padrão e tratar do essencial em vez do formal?

Como ultrapassar a lógica dos grandes documentos, estruturados a partir de formatos que visam em primeiro lugar evidenciar uma atividade soit disant profunda ou científica (que justificará os financiamentos da operação) e que tornará o resultado digno de um padrão de avaliação formal que tem em conta principalmente o percurso e menos a qualidade do conteúdo e o potencial de mudança que possa incorporar.

D –  Como gerir as relações de poder em favor da participação e da flexibilidade?

Como ultrapassar numa organização fortemente hierarquizada, com modalidades de exercício de poder e de relações de autoridade vincadas pela natureza institucional que o Estado / Administração Local impõe e abordar de forma horizontal, aberta e desprovida de receios de futuros conflitos ou tensões profissionais temas críticos e propostas alternativas ao instituído.

E – Como poderão ser asseguradas as interações, exigíveis num projeto comum, entre todos os membros da organização?

Como romper com a guetização que cada departamento, serviço ou área organizada da estrutura  da entidade e facilitar a comunicação aberta e sem condições entre funcionários e profissionais da organização estabelecendo formas comuns e convergentes de cooperação?

A procura de respostas a estas questões também pode ser realizada colaborativamente e as estratégias serem desenhadas em co-construção, eliminando à partida a divisão clássica na investigação-ação entre investigadores e participantes nos processos. É nesta abordagem que surgem como incontornáveis as COMUNIDADES DE INOVADOR@S. Voltaremos para falar da BLIMUNDA.

Carlos Ribeiro | Caixa de Mitos

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