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A flautista andragógica

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@Praça das Redes | 22 de junho | Com Dina Soeiro | Editado CR

Se a cruzarem numa das entradas da ESEC, Escola Superior da Educação de Coimbra, certamente não a verão a tocar flauta. Mas para navegar em tempos de COVID-19 o instrumento musical pode da jeito. E é com música que, com a Dina Soeiro, vamos explorar mais uma História de Navegadores Confinados.

A atividades formativas visando a alfabetização de adultos quando programadas na base de metodologias ativas põem os participantes a mexer, a interagir e a construir em conjunto, segundo Dina Soeiro. Estas abordagens, no entanto, implicam espaço e uma logística adequada.  A biblioteca da Escola Técnico Profissional de Cantanhede onde foram realizadas as primeiras sessões, apesar da inspiradora companhia dos livros, tornou-se demasiado pequena. Os anfitriões e parceiros locais do projeto Letras para a Vida, arranjaram rapidamente alternativa.

Covid-19 anula o bar

Vamos para o bar! Assim foi divulgada a solução encontrada, um espaço que encaixava muito bem com o perfil de outras atividades do projeto como as Oficinas de Letras, as Teclas e Músicas Prá Vida para além dos próprios Copos Prá Vida! Mas o COVID-19 chegou a Portugal e a formação foi suspensa. 

A saúde está primeiro

“As oficinas foram suspensas! E agora? E agora? Não acredito! Estávamos tão entusiasmados por iniciar a edição de primavera do Letras! Mas o importante é a saúde” lamentou-se na ocasião de forma responsável Dina Soeiro. E, consequentemente, foram todos para casa.

O telefone, toca

“Começámos a ligar para saber se os participantes das oficinas estavam bem. Como está? O que precisar, já sabe, é só dizer.  E não é que, passados alguns dias, os telefonemas foram no sentido inverso” recordou a Coordenadora do Letras.

Os netos aos quadradinhos

“Era só para dizer que está tudo bem! Estou um bocado aborrecida, os meus netos dizem que não podem cá vir, mas não se preocupe comigo. Valeu bem a pena ter aprendido a vê-los no telemóvel. Agora até os vejo mais! Vejo-os todos os dias no quadradinho!” confirmando assim, a autora do telefonema, que o distanciamento físico era uma realidade, mas o social, nem por isso!

Abraços no Zoom, só na imaginação

Mas para Dina Soeiro as surpresas estavam apenas no início. “Na aula da noite, as trabalhadoras-estudantes estavam de rastos. Conciliar os estudos e o trabalho nos lares, se já era difícil no passado, ficou agora quase impossível. Mesmo a distância, senti o peso esmagador da sua carga emocional e física.  Se estivesse numa aula presencial, tinha-lhes dado um abraço. Não é coisa que ponha no sumário, mas é coisa essencial. A zoomar não consegui. Pedi a uma delas, flautista, que nos oferecesse um momento bonito, com a sua música. Ela, generosa, fez com que a distância, nessa noite, fosse menos distante”.

Um equilíbrio desequilibrado

“É a gestão possível, muito para além de pedagógica ou andragógica, de um equilíbrio muito delicado entre medo, exaustão, esperança e desejo de continuar a viver, a estudar e, para algumas delas, cumprir o sonho de tirar o curso superior que tanto querem.

Está a terminar o semestre, o sonho destas mulheres vai-se cumprir, a formação vai continuar, talvez só em setembro, talvez só a distância, as oficinas vão voltar, não sabemos quando, mas vamos voltar” concluiu Dina com o otimismo que a carateriza.

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